Exemplo Medellín: Arte e Cultura como agente de transformação de uma sociedade

15 de Dezembro de 2020

Antes conhecida como o berço de Pablo Escobar, a capital do narcotráfico, hoje Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, é reconhecida mundialmente pelo planejamento urbanístico e pauta outras localidades com cases de sucesso a partir do investimento em cultura e educação.

A evolução da segunda maior cidade da Colômbia pode ser validada em números: as taxas de homicídios na cidade, em 1991, chegaram ao pico de 381 por 100 mil habitantes (Organização Mundial da Saúde considera violência epidêmica um índice acima de 10 homicídios a cada 100 mil habitantes). Em 2017, esse número caiu para 22 por 100 mil habitantes.

Mas o que levou a essa latente queda? Várias medidas podem explicar esse avanço. A preocupação de Medellín se pautou no acompanhamento social e mobilização intensa para uma real mudança. Muito além da disponibilidade de recursos para investimento. O nome ‘urbanismo social’ leva o título dessa evolução em Medellín.

Além das obras como a criação dos famosos parques-bibliotecas e edifícios fomentadores de cultura por toda a cidade, alguns elementos foram cruciais para essa mudança notória: participação cidadã (qualquer projeto começava por inquirir à comunidade local sobre seus desejos), engajamento e protagonismo, aspectos chave para dar continuidade aos projetos.

“Educação e cultura foram os eixos principais de transformação em Medellín”, disse o ex-prefeito da cidade, de 2008 a 2011, Alonso Salazar, ao Folha UOL. “A arte é um elemento de mudança que Medellín usa para enfrentar a violência, a pobreza, as ausências do Estado e as desigualdades sociais”.

O consultor sênior do ICI, Alan Gaitarosso, destaca a importância de mirar em Medellín para alcançar uma verdadeira transformação de sociedade. “A arte e a cultura são agentes de transformação. Precisamos manter isso em mente e focar em desenvolver essas áreas sempre. Criar alternativas, políticas públicas, projetos, envolver a iniciativa privada e incentivar o desenvolvimento cultural e social da cidade. Medellín é a prova de que o investimento correto, com foco sociocultural, pode sim transformar uma sociedade”, analisa.

Em 2018, uma comitiva da sociedade civil organizada e poder público de Maringá foi a Medellín conhecer os projetos que impulsionaram o desenvolvimento local. O ICI foi representado pelo então presidente da entidade, Eduardo Peinado. Segundo ele, tudo em Medellín chamou a atenção, mas, para ele, o Natal foi o melhor exemplo. “O maior aprendizado conseguir enxergar lá foi conseguir enxergar o potencial do Natal. Sempre valorizando muito a cultura local, em Medellín a sociedade se envolve completamente em todas as ações. Os brasileiros sempre ficaram de costas para interior do continente americano. Temos muito o que aprender com os latino-americanos”, analisou.

O Instituto Cultural Ingá (ICI) é uma agência de fomento e incentivo a cultura e à criatividade. Por meio da renúncia fiscal ou patrocínio direto, o ICI busca consolidar a economia cultural da região. Criando elo entre ideias criativas e empresas que acreditam na Cultura como ferramenta de desenvolvimento social. Além disso, o ICI oferece capacitações técnicas gratuitas para o mercado cultural da região.

Nos últimos 8 anos, o ICI viabilizou quase R$ 8 milhões em benefício para centenas de projetos artísticos e culturais apoiados.


Fontes: El País, Folha UOL e Revista Continente.
Foto: Reprodução/Dicas da Colômbia 

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